São os gritos do âmago de um grupo que busca a democracia. É a raiva interiorizada de repressões de tantas vidas. É o inconsciente coletivo. Movimento consciente de poucas almas. É o medo expresso do porvir nas unhas roídas de tantos dedos. É o nervosismo expresso nos braços cruzados. É a paz tóxica tragada em cigarros. São as cordas vocais marcando os pescoços. E a organização de um mundo novo. É a coragem daqueles que acreditam em si. São as mãos entrelaçadas que protegem um ao outro. São os pacíficos. Os moderados. Os agressivos. A união de vários que formam a correnteza. Rio que derruba barreiras, transpõe margens, invade limites. Mostra sua autonomia, concretiza utopias. Acredita na vida. Mundo de alegrias. São cabelos despenteados. Roupas sem marcas. Almas marcadas. Brilham por dentro. Não brilham por fora. É o fogo interior que a chuva não pode apagar. E que os gritos e ameaças não podem acessar. É o rio incandescente que ferve as veias. São os valentes. Os destemidos. Que não se corrompem pelo dinheiro, para sentir o poder. Que não precisam de armas para mostrar sua força. Que não precisam de músculos para impor respeito. São os poucos e bons. Nasceram poderosos, no berço das grandes idéias. Torres intransponíveis, alicerçadas nos céus. São os realmente humanos. Os que mataram o egoísmo. É o brilho dos parques, nas manhãs de domingo. É a abnegação. Negação de si mesmo. Entrega a um grupo, que pensa no mundo. São os gritos criados, para varrer a sujeira. É à beira do abismo, para o inimigo. Inimigos de si mesmos. Que mataram seus ideais, para se sentirem os tais. É o sentido para os que perderam o sentido. A direção para os que perderam o rumo. O norte para os que remavam para o sul. As idéias para os que sofrem amnésia. É a luta pela democracia ofuscada pela burrocracia dos egoístas. É a esperança que move os sonhadores. São os sonhos que viram realidade. É a realidade de um mundo justo. Aonde todos possam sonhar. E acordar. E lutar. E dormir. É um dia após o outro. E outro. E outro. Resistindo bravamente aos valores invertidos. Aos fracos de espírito. É o grito pela harmonia, justiça, paz e amor. É a luta pela democracia. É o chapéu que tiro para os idealistas.
Lucas Kafruni